LGPD para corretores de imóveis: como proteger os dados dos seus clientes
Entenda como a LGPD afeta corretores autônomos e aprenda boas práticas para proteger dados e manter a confiança dos clientes.
A importância da privacidade no mercado imobiliário
No dia a dia de um corretor autônomo, é comum lidar com uma grande quantidade de informações pessoais: nomes, telefones, e-mails, CPF, comprovantes de renda e até dados bancários. Tudo isso faz parte da rotina de atendimento, mas também traz responsabilidade.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em vigor desde 2020, determina regras claras sobre como esses dados devem ser coletados, armazenados e utilizados. Mesmo corretores que atuam de forma independente precisam se adequar, garantindo transparência, segurança e respeito à privacidade do cliente.
Proteger informações não é apenas uma obrigação legal, é uma maneira de transmitir confiança e profissionalismo, fatores essenciais para fechar negócios.
O que a LGPD exige dos corretores
A LGPD (Lei nº 13.709/2018) foi criada para proteger os direitos de quem fornece seus dados. No caso do corretor, isso significa tratar as informações dos clientes com cuidado, consentimento e finalidade específica.
Os pontos principais são:
- Coleta consciente: só solicitar dados realmente necessários para a negociação.
- Consentimento explícito: o cliente deve saber por que e para que os dados serão usados.
- Armazenamento seguro: proteger informações contra perda, roubo ou acesso indevido.
- Transparência: o cliente pode solicitar a exclusão ou correção de seus dados a qualquer momento.
Mesmo atuando sozinho, o corretor é considerado controlador de dados, ou seja, é responsável por garantir que essas exigências sejam cumpridas.
Exemplos práticos no dia a dia do corretor
- Captação de leads – Ao coletar contatos em formulários ou anúncios online, o corretor deve informar claramente que os dados serão usados para envio de propostas ou novidades imobiliárias.
- Atendimento via WhatsApp – Evite compartilhar dados sensíveis em grupos ou com outros profissionais sem autorização do cliente.
- Envio de contratos e documentos – Prefira plataformas seguras e criptografadas, como DocuSign ou Clicksign.
- Armazenamento de dados – Mantenha planilhas e cópias de documentos em pastas protegidas por senha ou em nuvem segura.
Essas medidas simples evitam riscos e mostram respeito à privacidade de quem confia em você.
Como adequar sua rotina à LGPD
1. Peça consentimento de forma clara
Antes de coletar informações, avise o cliente sobre o motivo e o uso dos dados.
Exemplo prático de frase em formulário ou e-mail:
“Seus dados serão usados apenas para contato comercial sobre imóveis disponíveis e não serão compartilhados com terceiros.”
Essa simples transparência já é um passo importante para adequação à lei.
2. Use ferramentas seguras
A tecnologia é uma aliada da privacidade imobiliária, desde que usada com consciência. Prefira aplicativos e CRMs que tenham políticas claras de segurança e ofereçam armazenamento protegido.
Alguns exemplos:
- Google Workspace (Drive e Gmail corporativo com autenticação de dois fatores)
- Jetimob CRM ou Vista CRM, que permitem controle de acesso e relatórios de uso
- Dropbox Business ou OneDrive, com criptografia de dados
Evite deixar dados em celulares pessoais sem senha ou em planilhas desorganizadas no computador.
3. Evite compartilhamento desnecessário
É comum corretores compartilharem informações de clientes com colegas para parceria de venda, isso só pode ser feito se houver autorização expressa da pessoa. Quando precisar encaminhar dados, envie apenas o essencial: nome, tipo de imóvel, faixa de preço, e nunca documentos completos.
4. Crie uma rotina de exclusão e atualização
Não é preciso guardar todas as informações para sempre. Mantenha apenas o que for necessário para negociações em andamento ou registros contábeis.
Depois de um tempo, apague dados antigos ou arquive-os em pastas separadas. Essa prática reduz riscos e mantém a conformidade com a LGPD.
5. Informe seus clientes sobre seus cuidados
A transparência é uma das melhores formas de demonstrar profissionalismo.
Inclua em seu site, Instagram ou assinatura de e-mail uma frase como:
“Seus dados são tratados com segurança e usados exclusivamente para fins imobiliários, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).”
Isso mostra ao cliente que você respeita a legislação e protege as informações dele.
E se ocorrer um vazamento de dados?
Mesmo com cuidado, incidentes podem acontecer. Caso perceba que algum dado foi exposto ou acessado por terceiros, o corretor deve:
- Notificar o cliente afetado.
- Registrar o ocorrido, com data e medidas tomadas.
- Reforçar a segurança, alterando senhas e limitando acessos.
Se o vazamento for grave, pode ser necessário comunicar à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Quanto mais transparente for a resposta, menor o impacto na reputação profissional.
Benefícios de seguir a LGPD
Além de evitar multas e problemas legais, aplicar boas práticas de privacidade traz vantagens diretas ao corretor autônomo:
- Aumento da confiança dos clientes.
- Melhor reputação profissional.
- Organização das informações e processos internos.
- Mais segurança digital no dia a dia.
Um corretor que demonstra cuidado com dados pessoais se destaca em um mercado cada vez mais digital e competitivo.
Conclusão
A LGPD para corretores de imóveis não é apenas uma exigência burocrática, é um diferencial competitivo. Em um cenário em que confiança é essencial para fechar negócios, cuidar dos dados do cliente é uma forma poderosa de mostrar ética e credibilidade.
Com pequenas mudanças de rotina, uso consciente da tecnologia e comunicação transparente, o corretor autônomo protege seus clientes, fortalece sua imagem e garante que cada negociação seja conduzida com responsabilidade e segurança.